Lubrificante de maconha potencializa mesmo os orgasmos das mulheres?
Imagina ter um
orgasmo de 15 minutos? Essa é uma das “promessas” do lubrificante de maconha,
produto que tem ganhado muita repercussão por sua suposta capacidade de
potencializar orgasmos. É só digitar no Google ou nas redes sociais que
aparecerão várias referências a isso. O produto ganhou notoriedade com o
lançamento da marca Foria, vendido somente nos EUA. Algumas jovens brasileiras,
no entanto, descobriram um jeitinho de fazer uma versão caseira, vendida
clandestinamente em grupos secretos nas redes sociais.
Mas, afinal, ele
funciona ou não? Os efeitos do produto não são completamente comprovados. O UOL
ouviu duas pessoas que usaram o lubrificante e tiveram opiniões diferentes
sobre as sensações geradas.
A publicitária
Fernanda, 28, conta que usou o produto, vendido por uma colega, 30 minutos
antes da relação sexual, enquanto ainda estavam nas preliminares. “A transa foi
mais intensa, senti que demorei mais tempo para chegar ao orgasmo e, quando
cheguei, durou mais tempo”, narra a jovem.
A
microempresária Mariana, 35, por sua vez, diz que não sentiu muita diferença
durante o sexo. “Como lubrificante ele foi ótimo, mas não senti ‘brisa’
nenhuma”. Ambas, no entanto, querem testar o lubrificante de “outros fornecedores”.
“Quero comprar o original, o Foria”, fala Mariana.
Especialistas
também divergem
De acordo com
Albertina Duarte, ginecologista e coordenadora do Programa do Adolescente da
secretaria de saúde do Estado, não há qualquer evidência científica de que o
uso de substâncias na região vaginal potencializa o orgasmo. “O prazer da
mulher não é local, envolve regiões de todo o corpo”, fala a especialista. “O
orgasmo feminino é um sistema mais complexo do que o clitóris e a vagina”.
O ginecologista
Élvio Floresti Junior, porém, concorda que o uso do lubrificante de maconha
pode deixar a mulher sob o mesmo efeito que ela teria se fumasse a droga. “Tudo
o que você coloca na vagina tem um grande grau de absorção por ela ser uma
mucosa e levar direto para a corrente sanguínea”, explica. Porém ele deixa
claro que a sensação de euforia e relaxamento “batem” mais rapidamente, mas o
fato da maconha ser absorvida pela vagina não potencializa o “barato”. “É mais
o efeito comum da droga que deixa a pessoa mais relaxada e melhora a
performance na relação”.
O especialista
também avisa que o efeito do lubrificante vai depender muito de como o corpo de
cada pessoa responde à droga. “Assim como tem gente que fica em outro mundo,
outras pessoas ficam apenas mais relaxadas. É algo muito pessoal”, diz. Então
não espere que o lubrificante também faça milagres.
No caso do
produto industrializado, que usa apenas o THC, princípio ativo da droga, são
poucas as chances de haver qualquer tipo de reação com a região íntima, segundo
Élvio. No entanto, a versão caseira, usada pelas brasileiras, pode causar
irritação. “Assim como a maconha irrita a pele quando está sendo triturada, ela
também pode afetar a vagina”, diz o especialista. Albertina vai além: a erva
pode mudar a flora e o ph do órgão. “Isso aumenta o risco de contaminação e
expõe ainda mais a mulher”, fala.
Apesar dos
riscos, Albertina admite que, durante os 40 anos em que trabalha na área, não é
a primeira vez que ela vê mulheres tentando apimentar o sexo com ervas e outros
produtos durante a relação. “Faz parte do fetiche, de estar provando algo novo
na cama”, fala a ginecologista. O risco mora em a mulher procurar novos jeitos
de ter prazer sem refletir sobre o ato, já que o orgasmo feminino depende da
relação da mulher com o próprio corpo. “Esta é uma busca importante da mulher,
mas não existe um pó mágico que vá melhorar a performance”. (Uol)









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